Um típico dia de outono em Fraser Island: o marrom já é uma das cores predominantes na paisagem, a brisa refrescante já é mais gelada e o sol briga com as nuvens pra ver quem vai dominar o dia. Não sei porque, mas desde que acordei hoje tô com desejo de comer crème brûlée, de fazer como a Amélie Poulain e quebrar a casquinha com a colher pra encontrar o creme amarelo reconfortante.

créme brûlée
Acho que o que eu mais gosto nessa sobremesa é o contraste entre o caramelo e o creme: marrom e amarelo, crocante e cremoso, amargo e doce, um completando o outro e deixando o simples fascinante. A primeira vez que me deparei com o doce não foi em um restaurante francês, mas sim no Wok (http://www.wok.com.br) um restaurante tailandês sensacional em Porto Alegre. Depois disso, cruzaria com o tal doce diversas vezes, até ser conquistado de forma tão intensa a ponto de viciar minha família na minha própria versão da coisa.
Tem gente que acha que é difícil: não é. Basicamente, o creme é feito por gemas e açúcar, batidas até ficarem brancas e espumosas, que são então misturadas ao creme de leite cozido e levado ao forno em banho-maria. 50 minutos e geladeira. No dia seguinte já tá pronto para ser polvilhado com o açúcar, queimado e então saboreado com muito amor. Já vi diversas versões de como fazer o “bruleado” (a crosta queimada sobre o creme): tem gente que desepeja caramelo quente, outros queimam o açúcar usando um maçarico (meu caso), outros derretem o açúcar com uma colher quente ou no próprio forno. Verdade seja dita: independente de como se fizer, acho difícil existir créme brûlée ruim.
E não tem quem não goste.
[Eu não tenho forno em casa, do contrário já estaria comendo meu docinho. Mas vocês podem fazer e comer por mim. Me contento em ouvir essas músicas (perfeitas pra uma tarde como essa) e ver o outono pela janela.]
[Adendo: não dá pra colocar o player no wordpress, então se alguém quiser ouvir o The Aussie Project Mix 1, inspirado em uma tarde outonal, tem que entrar no link: http://8tracks.com/danielbroman/the-aussie-project-mix-1]
Umas três semanas atrás, eu e a Elaine decidimos jantar no Seabelle. Motivo? Não tínhamos, além do nosso desejo por boa comida (e acho que isso é suficiente, né?). Começamos nossa refeição no lobby do restaurante, bebericando da versão da casa de dois coquetéis consagrados – Mojito e Cosmopolitan – e então fomos guiados até a nossa mesa pela Tina, a supervisora filipina do Seabelle, onde já pedimos novos coquetéis!
Fomos recebidos, como de praxe, pelos pãezinhos assados com manteiga clarificada, acompanhados por azeite de oliva, manteiga com ervas, especiarias e gergelim. Nos foi entregue o menu e então tivemos que tomar a difícil decisão: planejar nosso jantar especial. Depois de muita conversa, negociação (afinal, não queríamos pedir pratos iguais) e planejamento – o que levou MUITO tempo, levando em consideração como eu e a Elaine é demorada para escolher – fizemos nossos pedidos.
A Elaine pediu Crispy Skin Pork Belly (literalmente, barriga de porco com pele crocante), que é servida com repolho roxo salteado e geléia de maçã. Eu optei por começar com frutos do mar, pedindo o Hervey Bay Scallops: vieiras grelhadas com purê de milho doce e farofa crocante de macadâmia, prosciutto e parmesão (SEN-SA-CIO-NAL).
Quem me conhece sabe que eu tenho uma leve adoração por carne de pato: é a minha ave preferida. Desde a primeira vez que eu fui ao Seabelle, quando vi que tinha pato entre as opções de pratos principais, juro que fiquei desejando a bendita ave. Pois desta vez eu não poderia deixar a oportunidade passar, e enquanto a Elaine saboreou o Bush-style Sizzling Saganaki King Prawns (camarões gigantes salteados com alho em redução de tomate e vinho branco, com queijo feta marinado), pedi o BELÍSSIMO Duo Duck, um prato lindo que consistia no meu desejado pato apresentado de duas formas diferentes: o magret de canard (peito) grelhado com a pele crocante e o ravioli recheado com pato, acompanhados por tomate, ervilha e ervas salteados na manteiga, tudo com redução de vinho tinto. Como side dish optamos por pedir, como da primeira vez, o maravilhoso purê de batatas trufado.
Para arrematar, as sobremesas: para a Elaine a Lemon Myrtle Panna Cotta, acompanhada por compota de pêssego e balsâmico, enquanto eu pedi o White Chocolate Lavender Parfait, que é acompanhado por crumble de macadâmias e mel, além de compota de rainberries. (Adendo: eu nunca achei panacota uma sobremesa interessante, talvez pelo fato de ser basicamente nata e gelatina. Pra mim sempre tem o mesmo gosto – nenhum – e a consistência é nojenta. A Elaine não gostou da dela, e por isso comeu metade da minha.)
Em tempos de tragédia no Japão achei que era bom dar uma passadinha por aqui para dizer que ainda estou vivo – hahaha. Esse hiato entre as postagens se deve ao fato de que eu não sei o que escrever aqui, porque já cansei de falar do meu dia-a-dia: nem sempre tenho coisas novas para contar, quem dirá interessantes. Por tanto, vejamos: com a demissão do Ranjith, subi na “escala social” da cozinha e agora sou o chef do café-da-manhã junto com o Jay, o chef filipino, e supervisiono os buffets dos mochileiros e dos hóspedes no restaurante principal. Infelizmente isso ainda não me fez achar o “full english breakfast” mais atraente: afinal, convenhamos, feijão branco em conserva com molho de tomate e hash browns não parecem apetitosos pra começar o dia…
Esses dias tava ensinando o Anshul a nadar e, sem querer (claro né), dei uma cabeçada na borda da piscina e cortei a testa. Fiquei meio leso por alguns minutos, mas depois passou e agora já tô bem, fora o hematoma na cara. ¬¬ Tava conversando com a Elaine sobre os hábitos tão diferentes do pessoal por aqui – tá, isso é uma forma educada de falar que a gente tava comentando que os indianos não usam desodorante. Falei que tava louco pra que o inverno chegasse, ao que ela respondeu: “não sei, porque daí eles provavelmente não vão tomar banho”. HAHAHAHAHA. Quase morri. Se tem coisa que é bem nojenta é catinga de gente, né?
Ah! Dia 6 de Março foi o Clean Up Australia, que é um dia que todos os australianos vão pras ruas com vassoura pra limpar o país. Achei a iniciativa super bacana, principalmente porque o povo realmente se compromete e ajuda. Eles têm a noção de vida em comunidade invejável, coisa que poderiam ensinar pros brasileiros, né?
Tá, como sempre o post foi uma coisa bem sem foco, falando de assuntos aleatórios porque eu realmente não tenho uma pauta. Queria sugestões de vocês sobre o que falar nas próximas postagens, porque realmente não quero abandonar o blog.
Sempre falei da “minha cozinha”, mas percebi que nunca botei nenhuma foto dela. Tá, eu já tava no meio do expediente quando eu percebi isso e resolvi capturar as imagens, então não reparem na bagunça. Pedi pra minha EQUIPE (cof) sair do ambiente.
Como eu trabalho sozinho, gosto de deixar as coisas exatamente nas posições que estão – não preciso me preocupar se outras pessoas vão entender ou encontrar o que tão procurando. Também quero salientar que o chão não tá sujo (¬¬) as manchas são de água.
Outra novidade é que agora eu tenho um escravo “estagiário”: é um chef aprendiz (deve ter uns 18 anos, no máximo), que tá estudando ainda. O nome dele também é Daniel (omg), mas ele é bem cru ainda, então tive que ter bastante paciência (o que não é o meu forte) e explicar as coisas várias vezes. Como eu não saco de ficar repetindo tudo, as vezes confesso que simplesmente pedia para ele me deixar mostrar como fazer e fazia, porque a explicação oral não rolava. Era para ele ter trabalhado sozinho ontem de noite, mas quando eu tava indo embora eu consegui ler nos olhos dele que ele tava se cagando de medo. Daí eu perguntei se ele queria que eu ficasse, e ele tipo: “ah, se tu não se importar…” HAHAHAHA tá, daí fiquei a noite toda trabalhando com ele e repetindo e ensinando tudo de novo.
A cozinha parece pequena, mas quem é do ramo vai concordar comigo que ela é MUITO bem equipada e melhor do que muita cozinha de hotel e restaurante brasileiro. Tem forno combinado, hotbox, forno elétrico, fogão industrial, lava-louça industrial (*-* LINDA, me poupa muito trabalho), câmara-fria gigantesca (já fiquei preso lá dentro hihihi) e tá bom, né?
E eu sempre levo meu dock e o iPod e coloco uma trilha sonora bem bacana pra animar as refeições (os hóspedes já tomaram café-da-manhã ouvindo Lady Gaga, Ke$ha, Rihanna, Katy Perry…).
Tá, provavelmente alguém vai dizer que isso não é cozinha, que é cenário de Jogos Mortais e blábláblá, mas acreditem, isso é um LUXO comparado com algumas cozinhas espalhadas por ae (Porto Alegre *cof*). Por isso que dizem que se conhecemos a cozinha, não comemos no lugar (apesar do que eu como no Dingo Bar, mas é porque sou eu que cozinho né u.u).
Eu ia botar um vídeo do Morris (o meu lagarto pet) mas o vídeo ficou ruim, então fico devendo. No lugar dele vai o clipe SENSACIONAL da MELHOR BANDA DO MUNDO: Cut Copy! É do CD novo, tá?
Confesso que não estava assim TÃO animado para voltar ao trabalho, mas fui. Andava meio desanimado com o meu emprego, me questionando se tinha feito a escolha certa sobre trabalhar na área da gastronomia e se deveria escolher outro caminho. De manhã, enquanto caminhava para o Sandbar, resolvi pegar uma trilha-atalho através da mata, mas aparentemente errei a entrada e me perdi na floresta. Fiquei caminhando algum tempo sem conseguir encontrar o caminho de volta, até que finalmente tropecei na trilha verdadeira e consegui chegar no trabalho. O que era pra ter levado 5 minutos levou 20. Hahaha. Pelo menos não me atrasei.
O turno foi dividido: das 10:00 às 14:30 e das 17:00 às 21:30. A primeira parte do dia foi incrivelmente tediosa, o tempo não passava e eu não via a hora de voltar para casa. Decorei cada detalhe do meu relógio de tanto que olhei para ele, desejando que já fosse tempo do break. No intervalo caminhei de volta para casa, dessa vez pelo caminho certo, e conversei com o Giordano (<3) até a hora de voltar ao trampo. Peguei minha trouxinha e voltei para lá.
Tudo indicava que a noite também ia ser tediosa, até o momento em que começaram a entrar pedidos atrás de pedidos e logo a fila de comandas já passava de vinte. Na cozinha, três pessoas: eu, o Ben (chef de partie) e o guri-que-até-agora-não-entendi-o-nome (lavador de louça). Tensão, correria e gritaria. É incrível como o ambiente se transforma rápido na cozinha e como a adrenalina influencia nisso. De uma atmosfera tranquila e descontraída ao extremo oposto no tempo da garçonete gritar “Order!” e a comanda saltar. É incrível a emoção, e ao mesmo tempo o pavor, e é engraçado como todo mundo se odeia nesse tempo, porque todo mundo quer fazer tudo rápido e sempre acha que os outros são lerdos. A gente se xinga, grita, só não sai pancadaria porque somos civilizados. Não importa a língua, o país ou a cultura. Acho que é sempre assim, em qualquer cozinha, no mundo inteiro.
A sensação de ver a fila de comandas diminuir, gradativamente, até se esgotar é incrível. No fim, uma euforia silenciosa toma conta quando a gente percebe o quanto trabalhou em pouco tempo, o quanto correu e como conseguimos, como terminamos com sucesso a tarefa. Dá vontade de rir dos xingamentos, dos berros, da comida que se espatifou no chão e da sujeira nas paredes. Todo mundo é amigo de novo.
É por isso que eu amo cozinhar. (:
Placar: 180 pessoas (redondinho).
[Tá, já que o Bê reclamou ontem, hoje vai o vídeo que me conquistou da Adele. Fico arrepiado sempre que vejo hahaha]
Essa era a minha cara quando tava no Gate 35 da ala de vôos domésticos do aeroporto de Sydney. Tá, mentira, não tinham as lágrimas (q). Eu, Elaine, Menina Zumbi, Vanessa e Anshul tivemos nosso vôo atrasado em uma hora, o que nos rendeu 25 canais de TV por satélite de graça durante o vôo (grandes bostas né, dormi a viagem toda de qualquer jeito). Achei graça que ,quando chegamos em Hervey Bay, a senhora sentada do meu lado não sabia onde tinha colocado sua bagagem de mão. Foi uma comoção na aeronave, todo mundo mostrando malas e perguntando se era a dela (porque a véia não sabia nem como descrever a bagagem dela, gente) até ela se lembrar que tinha mandado tudo como bagagem normal. Alemão bateu forte ali, né?
Fomos transportados do aeroporto até a marina por um motorista do resort e de lá pegamos a balsa de volta para nosso exílio lar. Nenhuma grande novidade na pacata Fraser Island, além do fato do meu pacote da Lady Gaga finalmente ter chegado. Dediquei meu dia a desempacotar coisas e organizar minha humilde morada e então aprendi a valorizar a Rosane e a mãe nos nossos momentos pós-viagens. Gente, nunca achei que fosse ser tão cansativo desfazer uma mala. u.u
Então, vadiei (porque é isso que a gente faz nas férias, né), repeti as mesmas coisas sobre a viagem pra TODO MUNDO (porque até gente que eu não conhecia tava sabendo da viagem, pelo visto) e amanhã volto ao trabalho. :~ Tá, vou dizer que isso é bom, já que tava bem entediado nesses últimos momentos de ócio, mesmo que eu não esteja voltando para a minha cozinha. A partir de amanhã vou trabalhar no Sandbar e só semana que vem volto pra minha rotina escrava puxada no meu próprio estabelecimento.
Para terminar: eu ia colocar uma música da Adele (artista gordinha caruda que eu não gostava) em homenagem ao Bê Alencastro, que me fez ficar viciado nela, mas resolvi botar uma outra que gosto mais. (HAHAHA, sorry)
Bom, como o dia de exposição + Black Swan foi muito boring pro Anshul, deixamos que ele escolhesse os programas do dia seguinte. Acabamos indo em três atrações diferentes da cidade: o Sydney Aquarium, o Sydney Wildlife World e a Sydney Tower. Tá, admito que foi legal ver os bichos australianos de perto e tal, mas depois dos dois primeiros bichos tu já tá louco pra ir pra casa (ou seja, esse dia foi boring pra todo mundo menos pro Anshul). Caminhamos horrores, almoçamos de novo em Chinatown (e eu comi pé de galinha) e conhecemos Darling Harbour (Darling Harbour em si, não o bairro onde estamos). Bonecos gigantes de Lego também foram atrações, porque estão espalhados por toda a cidade – e mais do que o tamanho deles, o que me surpreende é que aqui ninguém tenta roubar uma parte deles como souvenir ou escalar pra bater foto.
Gostei do Wildlife World, apesar de não ter abraçado nenhum coala, porque consegui fotos bem bonitas e um vídeo muito engraçado da Elaine gritando de medo por achar que um canguru ia pular em cima dela.
O Aquarium foi muito boring, porque vamos combinar né (já peço desculpas pro tio Bernardo, mas) peixe é tudo igual. Daí passei reto pelo tanque dos peixes e fui direto pros túneis debaixo d’água pra ver os tubarões e deugongs (e não cansei de fazer a piadinha sobre o meu Dewgong lvl 43 no Pokémon SoulSilver HIHIHI). Achei que ia ser tudo muito chato, mas até que foi legal ficar cara a cara com tubarões e afins, mesmo que eu ainda esteja inconformado que a gente não possa jogar comida pra eles (tipo crianças macias e suculentas).
A Sydney Tower foi meio decepcionante, porque quando a gente comprou os tickets nos disseram que uma das atrações nela era caminhar na plataforma de vidro, lá no topo da cidade. Daí a gente chega lá, tri faceiros que vai caminhar e se cagar de medo da altura, e descobre que tem que pagar mais 40 dólares pra sair. WTF. Ficamos só do lado de dentro né, porque ninguém aqui é palhaço, batendo foto através do vidro com o resto dos turistas que não tavam afim de ser explorados.
No dia seguinte, Valentine’s Day! Fiquei deprimido porque meu valentine tá lá longe né, então tava afim de fazer o Tom Hansen e sair na rua vestindo roupão, beber até cair e mandar todo mundo arranjar um quarto. Como tenho amigos comigo, fiz o mais lógico a se fazer quando a gente tá triste, e fui pro shopping fazer compras né. Comprei um All Star, quatro camisetas, um moletom, vários cartões muito engraçados, dois adesivos de parede e um quadro da Moça com Brinco de Pérola Zumbi (só artigos essenciais, né). Consegui pechinchar minha jaqueta dos sonhos por 250 dólares e mesmo assim não comprei, mas fiquei satisfeito com o meu poder de persuasão (tá, eu não comprei porque a Sarah não deixou).
Daí de noite resolvemos sair pelas ruas de Sydney catando festas para ir né. A Vanessa tava tri pessimista porque era segunda-feira, mas a gente tava crente que por ser Valentine’s Day a cidade ia estar fervendo. Compramos uma garrafa de Red Label pra começar a noite e eu bebi metade sozinho (ops), daí saí pela cidade cambaleando com a Sarah. Caminhamos em grupo pelas ruas até chegar em Kings Cross (que eu só identifiquei por causa do outdoor da Coca-Cola, que é ponto turístico já que é o maior outdoor do hemisfério sul) e passamos por umas quatro festas diferentes, uma mais flop que a outra. Gente, cadê todo mundo? Os casais deviam estar em casa se divertindo e os solteiros deviam estar chorando, porque não tinha ninguém nas ruas. ¬¬ Voltamos pra casa, pois.
Hoje de tarde fomos caminhar na Oxford Street (a rua “alternativa” de Sydney) e acabamos matando o tempo atravessando a cidade a pé. Hahahaha. Agora tenho que arrumar as malas para madrugar amanhã e voltar para Fraser Island. ):
Então, eu ia postar ontem, mas acabei ficando sem tempo, então vou contar agora o que aconteceu nos meus primeiros dias de férias. Hahaha. Tá, admito que eu tava achando a Austrália um cu, porque tava tendo só a experiência de ilha e cidade pequena (alô, Hervey Bay, 80 mil habitantes…), mas depois que cheguei em Sydney tô apaixonado! Só não sei se meu tesão é pela cidade ou pelo país.
Saímos do aeroporto de Hervey Bay no único vôo pra Sydney do dia, no horário correto, e passamos por uma situação engraçada: permitiram que todos passassem, australianos, brasileiro, filipina e indiano, mas pediram para a Vanessa (peruana) que parasse para ser escaneada em um segundo teste para EXPLOSIVOS. Gente, me mijei rindo dela.
O vôo foi tranquilo, apesar de eu ter sentado do lado de dois elementos bizarros que não foram apresentados até hoje aos amigos sabão e chuveiro. Os dois tavam ensebados, meio fedidos e tavam viajando de pés descalços. Tipo, oi? De qualquer jeito dormi o vôo inteiro e só acordei quando pousamos em Sydney!
Ajustamos nossos relógios para o horário local (aqui são 13 horas na frente de Brasília, diferente das 12 costumeiras) e pegamos um táxi com um motorista paquistanês para nos levar até Darling Harbour, a região em que nosso hotel fica. Sydney é conhecida como “City of Villages” por causa da divisão dela em distritos, e pela diferença cultural que tu vê em cada rua que tu entra. Darling Harbour fica praticamente no coração da cidade, e o nosso hotel fica na George Street, uma das ruas principais da cidade, e muito próximo de Chinatown e de outras atrações turísticas como a Opera House.
No primeiro dia almoçamos em um restaurante chinês, onde apreciei um maravilhoso caldo de legumes com pato laqueado e noodles de ovos, tudo regado a chá, servidos por uma garçonete chinesa que não falava quase nada de inglês. Foi engraçado pensar que estávamos na Austrália, porque para onde quer que olhássemos só se viam olhos puxados e curiosos e placas em mandarim. Passamos a tarde conhecendo o lugar e fomos para Paddy’s Market, que é tipo o camelódromo versão 10x melhorada e orientalizada, onde os chineses, coreanos, japoneses e afins ficam disputando pra ver quem vai te vender o case de iPhone falsifix mais barato.
De noite fomos em um outro ponto turístico (tá, não é turístico, mas pra mim é um dos objetivos principais da viagem HAHAHA), a monumental Apple Store de quatro andares de puro vidro, que por coincidência (será?) fica na mesma rua do nosso hotel. Comprei meu iPhone 4 e passeamos mais pela região, passamos por um pub chamado Three Wise Monkeys (que parecia muito legal) e nos decepcionamos com o atendimento PÉSSIMO. Pedi um drink e na hora de pagar não aceitavam cartão (sendo que tinha placa de cartão na porta) e eu não tinha dinheiro. O bartender me xingou (“perdi 5 minutos – exagero – fazendo teu drink”), catei dinheiro da Elaine pra pagar e ele serviu cerveja quente para eles. Fizemos um pequeno bafo e depois voltamos para o hotel e encerramos a noite.
No segundo dia encontramos com a Sarah e a Kat, as duas gurias dinamarquesas que trabalharam no resort conosco e agora tão fazendo mochilão pela Austrália, e fomos conhecer a Opera House e a Harbour Bridge, dois pontos muito famosos da cidade. Batemos muitas fotos, discutimos sobre o que fazer (eu queria assistir ópera – afinal, opera house, dã – e eles queriam fazer um tour) e não fizemos nada, caminhamos horrores e gastamos. Na volta encontramos uns caras dançando na rua com um público imenso assistindo, paramos para ver e comecei a gravar (sem saber que o Anshul e a Sarah seriam arrastados para a performance).
- Tá, o vídeo tá no Facebook, juro que tentei botar aqui e não consegui -
De noite fomos no tal “pub crawling”, pagamos uma taxa de admissão de 15 dólares e fomos com um grupo em 4 pubs diferentes, entre as 19:00 e as 24:00. Resultado da noite: bebedeira hahaha. Sorte a minha que sou imune a ressaca.
No terceiro dia, chuva. Meus companheiros de viagem, com ressaca (losers), e eu fomos até uma das marinas, porque o objetivo do dia era ir no Zoo abraçar coalas. Acabamos chegando meio tarde e achamos que teríamos pouco tempo para aproveitar o Zoo (que aparentemente é gigantesco) e o tempo também não tava colaborando. Por isso todos resolveram aceitar a minha “sugestão” (fiquei pentelhando desde que chegamos na cidade) e fomos no Museu de Arte Contemporânea ver a exposição da Annie Leibovitz. A exposição tava SENSACIONAL, eu, a Sarah, a Kat, a Vanessa e a Elaine adoramos, e o Anshul achou tudo muito boring.
Voltamos a passear, passamos pela joalheria loja de cupcakes e fizemos um lanchinho e depois continuamos visitando lojas. Namorei uma jaqueta de 300 dólares (ainda tô namorando ela, a distância…), transferi meu número pro iPhone (e aposentei meu celular antigo hihihi) e no fim, eu, a Kat, o Anshul e a Sarah fomos comer comida tailandesa numa barraquinha e assistir Black Swan no cinema. A comida dava muito boa, tudo muito ótimo e tal, mas o auge foi o filme. MUITO BOM! Eu já era um fã do Darren Aronofsky, mas Black Swan me conquistou demais. Tá que o filme é pesado e afins, mas who cares? Pra mim continua sendo um trabalho de gênio, tanto por parte da direção quanto a atuação impecável da Natalie Portman. Tá, eu e as gurias amamos o filme e o Anshul achou um saco, então pra ele esse foi o pior dia da viagem HAHAHAHAHA.
Música / Vídeo do dia, homenagem pra Bolícia:
Então, fiquei um tempo sem postar no blog, é verdade, porque tava entediado (ainda tô). A verdade é que não acontece taaaaanta coisa assim por aqui para ter novidades sempre para contar, e eu acho que ficar falando sobre o meu dia-a-dia todo santo dia é meio chato, né? Tá, e eu também tava com preguiça e desanimado para atualizar, mas acabei me obrigando a vir aqui (afinal, assumi um compromisso com esse blog e com os meus leitores hahaha) e postar.
Minha viagem para Sydney continua de pé, mas ainda não planejamos nosso itinerário. Tudo o que sabemos é que queremos ir na Opera House, no Zoo e na Apple Store (HIHIHIHIHI) e em muitas boates hahaha. Agora além de mim e da Vanessa, a Elaine e o Anshul também vão ir para lá passar a semana, e vamos encontrar com a Sarah e a Kat (as meninas dinamarquesas que tão fazendo mochilão) para sair por lá. Além disso, a qualquer momento – tá, não qualquer momento, provavelmente amanhã ou sexta – um ciclone de nível 5 pode chegar com tudo na ilha. Hoje de noite ele vai chegar no litoral norte da Austrália e a tendência é que ele siga em direção ao centro do país, mas o trajeto dos ciclones é meio instável e corremos o risco de que ele venha para cá. Se for o caso, parece que o resort vai ser evacuado (eu não quero evacuar, como vou deixar minhas coisas aqui? Tenho muita coisa pra carregar agora u.u).
Tá, como não tenho novidades para contar, vou contar a lenda dos aborígenes sobre a origem da ilha, que me foi contada por um dos rangers esses dias. Claro que a versão do ranger era cheia de nomes e palavras bonitas, mas eu não lembro de muita coisa então a história vai ficar como a minha versão da lenda hahaha. Segundo os aborígenes, existia uma garotinha chamada Gari (GAH-ree) e ela era muito curiosa. A curiosidade dela fez com que ela se perdesse das demais pessoas da tribo dela, e ela acabou sozinha e deprimida na beira da praia, chorando sob o luar e as estrelas. A natureza (ou Deus, ou a Lua, ou sei-lá-eu-quem, não entendi quem foi o salvador) ficou com dó da Gari e resolveu transformar ela em uma ilha, ali mesmo onde ela tava. Para que ela não passasse frio, ele a cobriu com um manto verde (a floresta tropical) e para que não ficasse mais sozinha, a povoou com as diversas espécies de animais que aqui existem, dos insetos aos pássaros, passando pelos peixes, crocodilos e dingos. E fim.
Tá, a minha versão ficou bem ruinzinha. Dá o play no vídeo aí:
“Pelo menos eu tentei, né.”














